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EDITORIAL

               


O vazio das eleições


O conteúdo do nome “eleição” mudou muito desde 1532, quando se realizou a primeira eleição no Brasil.
É normal que os conceitos mudem na medida em que o tempo passa e a população evolua em termos de cultura, de direitos do cidadão, e do respeito esperado vindo dos políticos eleitos.
Mas, infelizmente, no Brasil deu-se o oposto. Os votantes da época de criação da eleição eram chamados de “homens bons”, termo amplo e ambíguo para configurar pessoas qualificadas pela linhagem familiar, pela renda, pela propriedade, bem como pela participação na burocracia civil e militar vigente na época.
Com o passar do tempo, os chamados “homens bons” ficaram restritos aos vereadores eleitos pelos municípios e o termo acabou sumindo do ambiente político.
Hoje, temos uma clara visão de que, realmente, os “homens bons” estão muito minimizados entre os políticos e candidatos, a cada eleição.
Com o massivo grupo de políticos e homens da administração do país, fica claro o tamanho do grupo de “homens nada bons”, que estão respondendo a processos e, pode-se imaginar, esse tamanho tende a aumentar consideravelmente, pois a cada dia se descobrem novos canais de corrupção envolvendo os nossos “homens nada bons”.
A corrupção se tornou rotineira e contagiante, permitindo o aumento de sua abrangência, na calada das repartições públicas, nas Câmaras Municipais e no Senado. Pode-se fazer uma analogia com o vírus da zyca, que chega sem ser notado, contamina alguns em primeiro ataque e milhares, decorrido certo tempo.
Como essa zyca financeira já vem de longa data, serviu de escola para os homens “menos bons” que vieram, com o tempo, ingressar na vida pública, na administração ou na política.
Qualquer epidemia que não seja tratada assim que se apresenta, tende a crescer e gerar muitas vítimas. Hoje, a zyca financeira tem muitos e muitos contaminados, colocando um halo de corrupção sobre classes profissionais, embora possam ter apenas alguns contaminados em sua área de domínio.
As pesquisas feitas nas eleições de 2016 mostram que houve uma evolução no grau de cultura dos eleitores, mas a grande maioria continua com grau de instrução parcial no ensino médio.
Todavia, esses mesmos eleitores que não conseguiram atingir um nível maior em sua formação cultural, são maioria dos eleitores e, assim, decidem os que serão eleitos, tomando como base fatores menos importantes na escolha de políticos.
A população, como um todo, paga o alto preço de ter políticos semialfabetizados tomando decisões importantes e provocando colossal prejuízo para o país. Este fato, somado ao vírus da zyca financeira, impede enormemente o aumento de escolas, postos médicos, habitação, transporte e muitos outros itens importantes para que o futuro seja promissor a todos os brasileiros.
Há alguma solução para esse problema de corrupção ativa em diversas escalas do governo do Brasil? A Operação Lava-Jato vai por fim nesta cachoeira volumosa? Quem é o último corrupto da fila a ser preso e julgado? Perguntas pretenciosas e vazias, pois não se pode prever o que sairá da cisterna da corrupção, um poço muito profundo, não iluminado, e com capacidade considerável de abrigar novos corruptos.
Infelizmente, as medidas que deveriam ser tomadas são complexas e radicais. Não adianta muito cortar os galhos podres de certas árvores, pois eles renascem com o tempo. Não podemos, por outro lado, cortar árvores com galhos podres, pois a natureza, tal como as Assembleias Legislativas e os Ministérios Públicos, tem que continuar com seus braços, porém sãos e sem vírus.
As escolas, de um modo geral, deveriam ensinar seus alunos o que é corrupção, os males causados por ela, onde ela é gerada e disseminada e como isso afeta o futuro de cada aluno.
Com o tempo, esses alunos irão se lembrar dos ensinamentos sobre corrupção, e saberão, já adultos, em quem votar.
É uma esperança que vale a pena alimentar!



Diário de um Consultório

por José Lacerda

 

            Muitos autores já escreveram sobre temas que se prendem a um ambiente definido.
            Assim, podem-se ler livros com foco na Casa Branca, no Pentágono, nos porões do DOI-CODI, na praia de Ipanema, ou em teatros famosos.
            Mas, não consigo me lembrar de algum texto, livro ou crônica, que tenha considerado como pano de fundo um consultório de dentista.
            Alguns vão argumentar que não seja um local motivador, que desperte a criatividade do autor, que seja até mesmo inóspito à imaginação.
            Eu penso que isso é possível. E vou tentar.
            Primeiro, temos que lembrar que dentista também é gente, um ser humano, com todos os atributos e defeitos próprios da espécie humana.
            É verdade que alguns, por alguma degeneração específica, adoram aplicar uma injeção no paciente, mesmo sabendo que isso dói muito. Vê-se até um brilho diferente nos olhos do odontológico ser, à medida que, sem esperar o efeito do famoso algodãozinho-com-gosto-de-laranja, já vai aplicando a enorme agulha em nossos delicados espaços gengivais.
            Mas, deixemos de lado os sádicos, os sequiosos por gritos estridentes, os que vêm no sangue jorrando o triunfo de sua profissão. Afinal, em todas as profissões há sádicos. Até professorinhas primárias gostam de puxar orelhas incautas, provocando lágrimas nos indefesos monstrinhos mal-educados que freqüentam as salas de aula moderninhas.
            Vamos tratar dos profissionais sérios, conscientes de seu dever.
            Tratar os dentes, hoje, tem o seu lado prazeroso. Por exemplo, em dias de imenso calor, somos agraciados com uma chuva amenizante no rosto, uma espécie de "Rock-in-Rio" particular, vinda daquelas possantes mangueiras com ar comprimido e água.
            Ou, então, podemos ouvir músicas antigas, escolhidas pelo dentista, provocando as mais ternas lembranças em seus pacientes. Certa vez, quase chorei ouvindo "El dia que me quieras", cantado pelo Carlos Gardel, enquanto um canal era tratado. A dor do tango chorado anulava a dor da anestesia passando o efeito. Quando a broca penetrou no canal em tratamento, a faixa "Caminito" redimiu a inconveniência da dor aguda. As lágrimas de dor não podiam ser identificadas com clareza: era o tango ou a broca penetrante? Na dúvida, saímos de lá cantarolando "... las caricias plenas y el suave murmúrio de tu suspirar..." e nem lembramos mais do canal intrusivamente violentado, recauchutado, dolorido, explorado em profundidade pelo profissional do dente. A tangoterapia nos salvou!
            Há outros profissionais odonto-humoristas, que contam piadas enquanto torturam delicadas gengivas, maculando as nossas coitadinhas odontoblastos, que são células epiteliais, colunares, de origem mesenquimal, responsáveis pela formação de dentina. Se a piada é nova – coisa difícil de acontecer no meio dentário – ainda bem, embora isso nos custe mais dor, ao rir, tendo dezenas de pinças, afastadores, algodão, gaze, sugador e outros que-tais enfiados no exíguo espaço de uma boca humana, sem contar com a enorme mão profissional (já notaram que todo dentista tem mão enorme, mais adequada a um lenhador, e jamais para uso em nossas estreitas cavidades bucais?) quase totalmente imersa na boca em tratamento.
            Mas, se a piada é velha, ou mal contada, a dor da anestesia fica aumentada. Ninguém suporta piada velha, ou mal contada, enquanto é picado por uma colossal agulha, empurrada por um lenhador da era glacial.
            Há algo que jamais vou entender, embora deva haver alguma explicação científica: porque temos que ficar olhando para aquela luz fortíssima, o tempo todo, mesmo quando o dentista sai da sala para atender seu costureiro, ou alfaiate, ao telefone?
            A polícia usa luz incidente nos olhos dos marginais para obrigá-los a confessar crimes cometidos. Logo, luz nos olhos é instrumento de tortura. Mas, os dentistas não estão nem aí. E você acaba até confessando coisas impossíveis, como "sim, eu amo a minha sogra!" diante daquela maldita luz.
            Para compor o quadro do consultório, há sempre aquele barulho de compressor aposentado, que ainda trabalha por necessidade, mas que deveria ser encostado por bons serviços prestados no passado. Determinados compressores imitam os passos claudicantes de uma velhinha octogenária, andando no andar de cima, com seu andador, em busca de seus remédios, na ausência da enfermeira-babá: toc, toc, toc.
            Isso nos remete para o futuro, pensando no tempo que nos resta antes de usarmos o andador. E, novamente, as lágrimas chegam aos nossos olhos, pela tristeza da velhinha no andador e pela enorme agulha adentrando nossa carne, sem dó nem piedade.
            E é nessa dupla identidade das lágrimas, geradas pelas lembranças e pelas dores do tratamento, que passamos boa parte de nossa vida nas mãos desses valentes profissionais bucais.
            Meu tio Armando não teve a oportunidade de conviver com os queridos dentistas. Perdeu todos os dentes antes dos 25 anos de idade. Morreu aos 75, certamente triste pelo que a vida lhe negou: um bom dentista com sua broca de som conhecido, chuva no rosto, piadas antigas, tango na vitrola.
            Hoje, onde quer que esteja, meu tio deve nos invejar quando sentamos na cadeira muito bem iluminada de um dentista.



  

Revolução de isopor 

por Marcelo Pirajá Sguassábia


      
Antes de mais nada, agradeço a presença de toda a diretoria do shopping a esta convocação extraordinária.

Bem, indo direto ao assunto: por meio de pesquisas, detectamos que mais de 90% dos homens odeia aquilo que 100% das mulheres adora: experimentar roupas. Para eles, é tortura chinesa entrar e sair de loja, e dentro de cada loja entrar e sair do provador, e dentro de cada provador entrar e sair de ternos, jaquetas, camisas, calças, sapatos... fora isso tem aquela vendedora excessivamente prestativa, em geral comissionada, que fica atrás da cortina perguntando a toda hora se ficou bom. Se não ficou, sem problemas - ela já está a postos com outras nove peças na mão, prontinhas para entrar e sair da máscula carcaça.

Diante dessa constatação surgiu a ideia, que motivou essa nossa reunião. O negócio funcionaria da seguinte forma: o sujeito vem até o shopping, tira a roupa em uma sala reservada e é escaneado em 3 dimensões. A partir disso um software faz todos os cálculos e cria virtualmente um clone do físico da pessoa. Os dados são transferidos para uma máquina modeladora - que irá produzir um manequim em isopor do macho em questão. Todo o processo não leva mais que dez minutos.

Finalizado o boneco, nossos funcionários saem batendo perna pelo shopping procurando os itens solicitados pelo cliente, de acordo com a predileção por marca, cor, numeração, estilo, etc. Encontrando em alguma loja um produto que tenha a cara do nosso amigo, o funcionário põe no boneco e vê se ficou bom. Se sim, nosso cliente é avisado por celular que na loja tal, por tantos reais, tem uma calça x que cai com perfeição no corpo dele. A foto do produto vai junto, e o sujeito só tem que aprovar ou não a compra.

Logicamente que alguns itens ficam fora do serviço. Roupas íntimas, por exemplo. Os lojistas não deixariam experimentar, ainda que o boneco seja de isopor. Com óculos a coisa também não funciona, pois são milhares de armações disponíveis. Além do mais, o rosto não será detalhado no processo de escaneamento, por uma questão de privacidade. Vai que algum credor da pessoa de carne e osso reconhece o seu modelo de poliestireno e resolve atrapalhar a compra ou esquartejar o boneco? O mesmo pode acontecer com um oficial de justiça ou até com alguém da polícia que esteja no encalço de um eventual consumidor foragido... Então, decidimos que o rosto da estátua terá aquela feição padrão de manequim de butique, para não termos problemas.

Enquanto isso o contratante do serviço fica no cinema, toma um chopp ou aproveita para comer um negócio - ele só não pode comer ou beber muito, sob pena do boneco de isopor, ao final da compra, não corresponder mais à silhueta do original.

Resumindo: ao mesmo tempo em que a gente tem a chance de empurrar mais produtos no cliente, ele segue consumindo na praça de alimentação e nos setores de entretenimento. Isso não é um diferencial, é uma revolução mercadológica! No início, podemos causar estranheza e até alguma rejeição, com os nossos funcionários andando pra baixo e pra cima com os bonecos de isopor debaixo do braço. Porém, com o tempo, a conveniência vai vencer a resistência. Podem ter certeza.

Bom, em linhas gerais, é esse o projeto. Perguntas? Dúvidas?


© Direitos Reservados
Marcelo Pirajá Sguassábia


 

ARTIGO: Trump, por Célio Pezza*

 

 

A eleição americana deste ano não foi só uma simples eleição que temos a cada quatro anos. Ela foi uma encruzilhada na história dos Estados Unidos. Existe uma estrutura de poder global que é responsável pelas decisões econômicas e políticas que roubaram o país e colocaram o dinheiro nas mãos de grandes corporações e especuladores.
Sua arma mais poderosa é a mídia corporativa e corrupta. A eleição americana foi uma vitória do povo contra esse sistema corrupto e mentiroso; foi uma vitória sobre esse plano macabro para controlar o mundo dessa Nova Ordem Mundial, que a mídia mostra como uma grande bobagem. As etapas para esse controle são em primeiro lugar, controlar a riqueza; em seguida criar conflitos (vide guerras do Vietnã, intervenção no Iraque e muitas outras), reduzir a população e decretar a lei marcial, onde acabam as garantias individuais. 
Hillary Clinton é amiga íntima do magnata George Soros, bilionário que fez fortuna com manipulações de moedas e grande financiador de partidos de esquerda. A família Clinton está no centro dessa máquina de poder corrupto nos Estados Unidos e faz de tudo para garantir a continuidade desse sistema. Dentro desse círculo estão grandes banqueiros, donos da mídia e grandes empresas. Esses poderosos fazem parte do Clube Bilderberg e se reúnem de tempos em tempos, para discutir os rumos do mundo.
Neste clube os convidados são escolhidos a dedo, como Peter Sutherland, diretor executivo da British Petroleum e da Goldman Sachs International, Paul Wolfowitz, ex-secretário de Defesa do governo Bush e ex-presidente do Banco Mundial, Henry Kissinger, Bill Clinton, Tony Blair, David Rockfeller, Bill Gates, Javier Solana (Otan) e outros reis, políticos e bilionários. Tudo é válido para que eles fiquem cada vez mais poderosos e o povo pague a conta. Eles mentem e iludem.
Aliás, aqui no Brasil já tivemos uma mostra desse comunismo corrupto internacional que tudo faz pelo poder e o povo já começou a entender como as coisas funcionam. Essa é a verdade sobre a eleição americana.
Donald Trump é um conservador republicano que se rebelou contra essa estrutura de poder global que colocou o mundo na situação em que se encontra. Ele quer varrer essa mídia mentirosa que dá o suporte e tornar a América grande novamente. Por isso ele foi tão combatido pela mídia.

Ele disse em um de seus discursos que sua briga maior era contra a NBC, CBS, ABC, CNN, N.Y. Times, Washington Post e outros gigantes da mídia, que dão suporte a esse grupo comunista de arrogantes do qual fazem parte muitos jornalistas, intelectuais e artistas, que vivem em um mundo diferente do nosso. É o grupo dos que evitam falar sobre Trump e que só conversam entre eles, com uma visão limitada e cheia de frases prontas.
A eleição de Trump trouxe esperanças não só para os Estados Unidos, mas para todo o mundo que não suporta mais essa ordem política corrupta que manda na nossa vida. Trump diz que os Estados Unidos precisam de Lei e Ordem. Alguém duvida que isso não faz falta também no Brasil e no resto do mundo? Chega de mentiras e manipulações. Espero que Trump assuma e governe com liberdade, para começar a varrer toda essa porcaria do mundo, enquanto é tempo. O povo acordou e viu como foi e continua sendo enganado pela mídia
*Célio Pezza é colunista, escritor e autor de diversos livros, entre eles: As Sete Portas, Ariane, A Palavra Perdida e o seu mais recente A Tumba do Apóstolo. Saiba mais em www.facebook.com/celio.pezza

Sobre Célio Pezza

O escritor Célio Pezza, 66 anos, iniciou a carreira de escritor em 1999, movido pela vontade de levar as pessoas a repensarem o modelo de vida atual dos seres humanos. Seus livros misturam realidade e suspense, e Celio já tem 8 livros publicados, inclusive no exterior, e é colunista colaborador de dezenas de jornais e revistas por todo o país. Saiba mais em: www.facebook.com/celio.pezza